Bolsonaro e o autoritarismo midiático: uma análise da eficácia de sua estratégia e o risco à democracia

Bolsonaro and media authoritarianism: an analysis of the effectiveness of its strategy and the risk to democracy

Autores

Palavras-chave:

Autoritarismo, Bolsonaro, Democracia, Fake news, Imprensa

Resumo

A presente pesquisa parte da premissa da importância da democracia e atenta para a tática bolsonarista de manipulação das massas mediante o seu autoritarismo midiático, cuja eficiência tem se mostrado potente e antidemocrática. Para tal, buscou-se formular os principais pilares relativos a sua estratégia, são eles: a hostilização da imprensa tradicional, o fomento das mídias paralelas, a produção viral de fake news e o bombardeamento vertical de mensagens e postagens por meio de robôs e disparos. Ao inimizar a imprensa, não se pode confiar nas informações advindas dela, por isso, deve-se apoiar nas mídias paralelas que, com um grande engajamento, distorcem os fatos e propagam fake news. As notícias mentirosas, por sua vez, impactam diretamente na descrença do adversário e no enfraquecimento democrático. Por fim, com um financiamento ainda desconhecido, bombardeam-se mensagens via WhatsApp e utilizam-se robôs para uma disseminação em larga escala, dificultando a saída da bolha da verdade bolsonarista. Provada a arquitetura sólida de Bolsonaro, a intenção seguinte é a de resolver os contrapontos da tese defendida, mais especificamente, relativa ao identitarismo e à imprensa. Assim, pretende-se demonstrar como Bolsonaro possui uma significativa aderência popular através de seu autoritarismo midiático, ainda que este não seja o único motivo responsável pelos êxitos de seu engajamento e da criação de sua imagem de “mito”. Como será demonstrado, há de se considerar um vazio político como consequência de uma crise multidimensional, envolvendo uma recessão na economia, uma deterioração da segurança pública, uma crise de corrupção envolvendo as denúncias da Operação Lava Jato e uma enorme polarização decorrente da crise política. Além disso, por meio dos estudos de Laclau sobre populismo, é possível observar, no bolsonarismo, a agregação identitária em torno de “significantes vazios”, causando um engajamento induzido em meio a defesa de pautas moralistas, heterogêneas e vazias. A metodologia adotada será bibliográfica, descritiva, estudando diversas notícias e pesquisas científicas no tocante ao tema a fim de melhor compreender a carreira de Bolsonaro até a contemporaneidade, contemplando a sua eleição e o enfrentamento à pandemia da COVID-19. Por fim, conclui-se que o autoritarismo midiático é complementar aos outros fenômenos de aderência popular bolsonarista (a crise multidimensional e o identitarismo), fazendo com que se haja um discurso, em sua forma e em seu conteúdo, projetado a agregar e reunir pessoas de maneira antidemocrática, injusta e desleal. Por isso, ainda que o Presidente tenha perdido apoio, subestimá-lo seria equivocado, principalmente ao perceber o sucesso de seu autoritarismo midiático. Finalmente, promove-se a reflexão acerca de como filtrar políticos autocratas, além de se pensar quanto aos próximos passos do Governo Bolsonaro, em especial no combate à pandemia e no pós-pandemia. Em poucas palavras, quando se tem um autoritário no poder, todos saem perdendo.

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Referências

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Publicado

2021-08-21

Como Citar

Nogiri Filho, H. C. (2021) “Bolsonaro e o autoritarismo midiático: uma análise da eficácia de sua estratégia e o risco à democracia: Bolsonaro and media authoritarianism: an analysis of the effectiveness of its strategy and the risk to democracy”, Democracia na Pós-Pandemia. SANTANO, A.C.; DOTTA, A.G.; OLIVEIRA, V. Q. (Orgs.). Curitiba: Transparência Eleitoral Brasil / Editora GRD, ISBN: 978-65-995278-0-7, p. 77–80. Disponível em: https://journal.nuped.com.br/index.php/teleitoral/article/view/nogirifilho_2021 (Acessado: 18 janeiro 2022).